Oficinas e Cortejo de Rua

Durante o mês de abril trabalhamos o Projeto Cortejo na ONG Acorde. Buscamos resgatar uma tradição quase extinta da cultura brasileira que é a Festa do Pastoril. Sua origem é européia, mas no Brasil ganhou vários aspectos próprios, como a capoeira e a versão humorística do velho (figura que o apresentador Chacrinha se caracterizava) e suas pastorinhas às avessas. Para saber mais sobre a cultura do Pastoril confira os links no final deste post.

A oficina que oriento ficou responsável pela confecção do estandarte, e acessórios das fantasias de pastorinhas e borboletas.

Todo o processo foi cheio de aprendizados, desafios e também improvisos que deram certo. Trabalhamos com o método de criação coletiva, o que deixou todo o grupo envolvido com o evento.

Seguem as fotos de como foi desde a preparação até quando fomos pra rua:

As fotos em sala foram tiradas pelos educandos da oficina, e as da rua foram tiradas por Caio Cleiton, também educando da Acorde.

Links com informações sobre o que é o pastoril:

http://www.jangadabrasil.com.br/revista/dezembro61/especial30.asp

http://www.recife.pe.gov.br/especiais/brincantes/8a.html

Projeto “O Despertador de Insights”

Agora é real, meus amigos! Começa a ser colocada em prática uma ideia que há algum tempo povoava minha mente, e que já havia contado com a aprovação de gente importante para mim, como Reinaldo Pamponet (da rede ItsNoon) e o pessoal da iniciativa IAM da Anhembi Morumbi.
A proposta desde o início é muito simples, e seu sucesso depende apenas da participação das pessoas envolvidas. Estaremos juntos criando a força que vem da união e assim crescendo em criatividade e ação, consequentemente aplicando em nossos projetos pessoais.
Este é o vídeo convite pra todos: (((((IMPORTANTE: O HORÁRIO É A PARTIR DAS 13H E NÃO DAS 11H COMO FALA NO VÍDEO)))

Quando?
Aos sábados!
Onde?
No CRJ – Centro de Referência da Juentude
Rua Rebolo Gonzales 185
Cercado Grande – Embu das Artes
Que hora?
Nesse sábado, 11/08 será a partir das 13h!
Tem algum contato?
o e-mail: despertador.crj@gmail.com
!!!!

Entrevistas em Tony Garrido e Negra Li

Este post é uma divulgação de um dos trabalhos mais legais que fiz como jornalista comunitária trabalhando pelo CRJ – Centro de Referência da Juventude em 2010

Para ver ma matéria completa no blog do grupo acesse: http://grupovozevez.blogspot.com/search?q=alto+astral

(…) No final desse show, entrevistei o Toni.
Falamos do Embu, de artesanato, de juventude e de música. Confira essa conversa
massa…
Talita Sannalber: Você já tinha vindo aqui no Embu, já conhecia…?
Toni Garrido:
Olha, eu não sei se o Cidade Negra já tocou em Embu. Eu sempre ouvi falar em Embu,
sempre achei muito curioso porque é o nome de uma cidade de São Paulo que eu não
lembrava, não tinha referência. Aí quando o pessoal começava a falar Embu das
Artes, aí eu sabia só que era um lugar onde tinha uma feirinha de artes… Eu
não conhecia a história da cidade, e principalmente dessa família incrível [família Trindade]. Então eu fiquei
feliz com essa junção.
Talita Sannalber: E o que você achou do astral da galera,
visto que a maioria é artista aqui do Embu?
Toni Garrido: Sério? Olha que
legal! Eu fiquei super feliz, achei o público muito interessado, mas achei ao
mesmo tempo que esse interesse era uma questão que a própria casa de cultura,
que a própria iniciativa da família tivesse resultado. Imaginei que fossem
pessoas que freqüentassem o próprio centro, de uma forma geral o centro de
cultura…
Talita Sannalber: Também! Isso
também. São artistas da música, da dança, do teatro, e de outras não só de artes
plásticas.
Toni Garrido: É! E também queria
dizer que eu achei um município forte! Quer dizer, cada município tem sua
característica. Um tem a característica de vender banana, outros vendem
petróleo, aqui é arte! É uma coisa que eu achei bonito, até. Fiquei super
amarradão, fiquei honrado.
Talita Sannalber: Ah que legal!
A gente também!
[nesse momento chega a artesã Talita Marques,
que presenteia Toni com um colar feito por ela
]
Talita Marques: Prazer em
conhecê-lo! Esse é um patuá, couro de jibóia… proteção!
Toni Garrido: Caramba! Olha
isso!
Talita Marques: Se quiser dar
uma olhada no meu trabalho pra fortalecer a família, é contigo mermo!
[risos gerais na sala]
Toni Garrido: Bacana,
bacana!
Talita Marques: Vivo da arte,
tenho três piá… Na correria, né velho… É arte de rua. Artesanato! Eu faço
couro, durepox, vários trampos.
Toni Garrido: Que legal! É forte
couro de cobra, né?… Muito obrigado, ta?!
[Eles tiram uma foto e Talita Marques sai do
camarim
]
Talita Sannalber: Num depoimento, diretor Cacá Diegues disse que o seu sucesso é ao mesmo tempo baseado na popularidade e na qualidade artística do que você faz. Ouvi-lo é ouvir a dor tratada com elegância, o amor como fonte de alegria e o futuro uma construção que depende de nós! A voz de Toni Garrido é um sonho com os pés no chão! …Eu concordo com ele!
Toni Garrido: Nossa! O Cacá
falou isso, é? Quando ele falou isso? Que bela síntese!
Talita Sannalber: E essa frase:
“O futuro como uma construção que depende de nós”, é a cara do CRJ, o lugar que
eu trabalho. Eu gostaria que você deixasse uma mensagem pra juventude…
Toni Garrido: Eu não sou muito
panfletário, de ter frase… Eu sou pragmático! Eu acredito que as coisas vêm
quando você luta e trabalha por elas. O trabalho é o que mais te leva a alcançar
alguma coisa. Ao mesmo tempo eu também prego o relaxamento, que é trabalhar o
suficiente pra ser feliz. E acreditar em você. Como diz o Roger, [apontando para o amigo] cuidar da
auto-estima! A pessoa que me criou, ela morreu, ela disse o seguinte pra mim,
foi o maior legado que ela deixou. Ela disse assim: “Olha eu não tenho dinheiro,
o que eu tenho pra deixar é a sapiência de que o que vai te levar pra frente, o
que vai segurar a tua onda é uma mente forte”. Não tem nada mais importante na
tua vida, dinheiro,… nada! Mente forte! É o que te leva, é o que te
transforma. Uma mente forte, sadia.
Talita Sannalber: Total! E agora
falando de música, eu soube que você lançou um disco de dub na Europa…
Toni Garrido: É. Isso faz tempo.
Foi com o Cidade Negra em 98, 97…
Talita Sannalber: E que foi até
mesmo o primeiro de dub lançado no Brasil. Eu gosto muito de dub, e queria saber
uns sons que você curte e indica pra gente.
Toni Garrido: Eu gosto de todo
tipo de música. Não tenho preconceito nenhum. Gosto de música negra em geral, aí
é falar de rap, rock, soul, funk, samba,… tudo música Black.
Talita Sannalber: E de
dub?
Toni Garrido: Adoooro dub! Dub é
a própria viagem, é a própria fantasia, é o lúdico, o fora do estabelecido. Dub
é a viagem de mente na música. É a mente voando com a música tocando. Todo bom
regueiro gosta de dub também, né?… E tem dub do mundo inteiro, dub brasileiro,
jamaicano, inglês, sueco…tem dub de tudo quanto é lugar.

No segudo dia dos shows da programação do mês da Consciência Negra, no encontro com a linda Negra Li, falamos sobre juventude

Talita Sannalber: Você já tinha vindo ao Embu?
Negra Li: Eu sempre venho,
inclusive eu moro perto, compro coisinhas pra casa, já cantei com meu coral (eu
fazia parte do coral da USP) cantamos na igreja aqui, muito legal por sinal…
Fazendo show acredito que seja a primeira vez. [lembrando] Mas com o RZO já
viemos.
Talita Sannalber: E da galera
que você viu o que achou?
Negra Li: Melhor ainda! Muito
legal! Pessoal aqui é muito zen. Talvez por ter esse lado artístico,
assim…
Talita Sannalber: É! O pessoal
que freqüenta aqui esse Teatro, que canta, que toca, que dança…
Negra Li: Eu acho muito legal
todo lugar, toda cidade, todo bairro que tenha isso, porque cabeça vazia é
oficina do diabo! Tendo alguma coisa pra juventude fazer, ter a oportunidade de
fazer o que gosta,… quer dançar, quer fazer teatro, quer estar se encontrando
com as pessoas, debatendo idéias, um indicando emprego pro outro… Isso é
legal! O que não pode é ficar na esquina de casa sem nada pra fazer, porque aí é
que faz besteira.
Talita Sannalber: É bem essa a
função do CRJ!
Negra Li: Eu imaginei.
Talita Sannalber: E ele surgiu
de uma conquista de um grupo de jovens há mais ou menos dez anos atrás, porém,
um grupo não muito grande. E até hoje encontramos desafios pra mobilizar a
juventude a pensar e agir em causa própria. Eu queria que você comentasse porque
você acha que isso acontece.
Negra Li: Complicado… Mas são
diversas tribos, né? E aí quando se divide, estilo musical, estilo de esporte,
estilo de balada, então cada um ta no seu segmento, cada um vai pra um lado. Por
isso é muito difícil você ter todos juntos numa sintonia só.
Por que que não pode ter no mesmo show: axé, rock, pagode,
rap… não é?
Talita Sannalber: É!
Negra Li:
Então exatamente por isso. Por ter cada um sua tribo é que fica cada um na
sua cabeça, no seu estilo. Mas isso que ta acontecendo aqui no Teatro já é
legal! Até porque as pessoas podem vir e se divertir cada um com a sua energia,
cada um com seu estilo.
Talita Sannalber:
Você acha que o jovem no Brasil ainda não é levado a sério?
Negra Li: Eu
acho que ainda não. Ta faltando ainda muita coisa. Principalmente o jovem! Ele
mesmo se mobilizar pra que seja enxergado.
Creditos das fotos: a 1ª por Carolina Mas / a 2ª foi tirada no meu cel pela acessora da Negra Li